sexta-feira, 22 de maio de 2015

Dilma volta a ceder no ajuste fiscal e diz que é preciso 'virar a página'

Jéssica Vanessa, 7º período de Jornalismo - Jornalismo Especializado
O recuo reduzirá ainda mais a economia prevista pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy
Na véspera de anunciar oficialmente o tamanho do contingenciamento no Orçamento de 2015, a presidente Dilma Rousseff se viu obrigada a fazer mais uma concessão para garantir a aprovação do ajuste fiscal no Congresso.
Pressionado por aliados, o Palácio do Planalto aceitou manter a regra atual de carência mínima para o pagamento do abono salarial, e não a prevista na Medida Provisória 665. O recuo reduzirá ainda mais a economia prevista pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Na quinta-feira, 21, Dilma disse que o ajuste é fundamental para o "Brasil virar essa página". Ela saiu em defesa de Levy e garantiu que o bloqueio de despesas orçamentárias não vai paralisar as atividades do governo.

Após reunião com Levy e o vice-presidente Michel Temer, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), anunciou que o Planalto havia aceitado vetar um trecho da MP que exigia carência mínima de três meses para o pagamento do abono. Isso mantém a regra atual, que demanda apenas um mês de trabalho para o acesso ao benefício.

A MP chegou a ser debatida no Senado na quarta-feira, 20, mas a articulação política do governo avaliou que ela poderia ser rejeitada e a votação foi adiada. O Planalto espera que a promessa de veto pacifique os aliados e abra caminho para a aprovação da proposta.

Cálculos do consultor de Orçamento da Câmara, Leonardo Rolim, mostram que a redução da poupança esperada pela Fazenda com a concessão é pequena, de cerca de R$ 200 milhões em 2016 em relação ao relatório que está sob análise.

Apesar disso, outras alterações no prazo de carência do abono salarial feitas desde quando a MP foi lançada são mais significativas. A medida inicialmente aumentava para seis meses o tempo de trabalho mínimo para o recebimento do benefício, uma exigência que foi cortada pela metade pelos deputados, a um custo de R$ 850 milhões para o governo, de acordo com Rolim. Dessa forma, as sucessivas revisões apenas desse item já representariam uma perda superior a R$ 1 bilhão.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...