terça-feira, 14 de abril de 2015

O amor no coletivo

Iguaçuense lança em tiragem impressa sua primeira produção independente
 
Por: Marjorie Colombari



Com objetivo de compartilhar mais um dos seus trabalhos, o rapper iguaçuense Mano Zeu, de (tantos anos), lança seu primeiro livro com tiragem impressa, “Amor Coletivo”. A produção independente de Zeu traz a todos um pouco do seu lado poético.

Envolvido com a cultura Hip Hop, Mano Zeu acredita na libertação através da música, na força dela para a conscientização e a denúncia das arbitrariedades sofridas por quem luta constantemente por espaço nos meios tradicionais de fazer e ouvir a sua voz. Dessa vez, o jovem, que já fez parte do coletivo local “Ação Poética da Três Fronteiras”, que dissemina a poesia nos muros da cidade, resolveu compartilhar a sua poesia de forma escrita, ressaltando em seu livro as mais variadas formas de amor, desde o relacionamento amoroso entre duas ou mais pessoas, amor entre familiares, amigos, até a luta do povo, a solidariedade, os mutirões nas favelas, o cuidado com a natureza. “Eu fiz parte do coletivo “Ação Poética das Três Fronteiras”, e me lembro que primeira frase foi: "Sem Poesia Não Existe Cidade". Creio que esse seja um dos objetivos do livro. A poesia pode melhorar a vida das pessoas, o“Amor Coletivo” é composto pela soma das individualidades na luta pelo bem comum”.

Zeu conta que escreve desde o final da década de 90, já tendo compartilhado conteúdo em blogs, revistas, jornais, fanzines e outros. Ao longo dos anos, o rapper afirma ter escrito várias poesias para letras de rap, gravando no ano de 2010 seu primeiro CD, “Brasil Ilegal”. Durante esse tempo, a partir de suas publicações em fanzines, o jovem pegou ainda mais gosto pela coisa, e após  diagramar o que escreveu, resolveu em fim, publicar o primeiro livro impresso. “Escrevo já faz mais de 12 anos. A gente tinha um coletivo de Hip-Hop chamado Cartel do Rap, e paralelo aos eventos que organizávamos, produzíamos um fanzine onde continham muitas poesias. Foi nos zines que eu comecei a escrever mais poesias que não eram para letras de Rap, mas sim pro papel impresso, pra galera ler, pra recitar em saraus, nos shows”.

Mano Zeu conta ainda, que a vontade de realizar uma produção independente surgiu em 2014, quando ele conheceu de passagem pela cidade, um poeta mineiro chamado Thuan Carvalho, que estava viajando vendendo suas poesias através de um livrinho de sonetos que ele produziu. Zeu se sentiu confiante para publicar o que escrevia após uma viagem ao Rio de Janeiro, onde comprou um livro de poesias no metrô da cidade. “Esse ano eu estive no Rio, e comprei um livrinho de um poeta no metrô, e foi a partir desse momento que eu senti mais encorajado a publicar o meu também. Sou um pouco tímido pra abordar as pessoas nas ruas, nos bares, mas tá sendo uma experiência bem interessante”.

Atualmente Mano Zeu vende seus livros em viagens, pelas ruas por onde passa. O poeta volta a Foz no próximo mês.
“...Eu trago boas novas
Eu trago boas novas
Meus camaradas
Toda forma de amor
Será coletivizada”.

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