quinta-feira, 7 de agosto de 2014

ROTA UNIVERSITÁRIA

Onde estão os alunos do ensino superior quando não se encontram em sala durante o horário de aula?
TEXTO Stéfani Scarpato
FOTO Luciana Alfaro
A fidelidade dos universitários aos seus bares preferidos nas redondezas das instituições de ensino é admirável. Alguns, que podem ser considerados como mais comprometidos, optam por frequentá-los apenas durantes os intervalos. Já outros, não se importam com os atrasos na lista de presença da sala de aula– o importante é estar entre amigos.
Desde os “pé-sujo” até casas com música ao vivo, os bares aos arredores do Centro Universitário Dinâmica das Cataratas – UDC, localizado no centro de Foz do Iguaçu, no Paraná, têm a característica de grande movimento durante as aulas e uma drástica queda, visível a todos que passam pelo local durante as férias.
Algumas opções disponíveis são o Téquim, caracterizado por oferecer buffet de petiscos como salames, bolinhas de queijo, polenta, entre outros; a Universidade da Cerveja, conhecido por ser um local mais sofisticado (que inclusive, oferece música ao vivo durante algumas noites) e o Bar da Miriam, o “queridinho” é reconhecido como principal ponto de encontro entre amigos e promoções de cerveja, que incluem “rodadas” de quatro garrafas ao custo de R$10,00 e pão de queijo por R$1,00. E são justamente esses os dois últimos estabelecimentos que não saem da boca dos alunos.
Bruna Mariana Fulton, 23 e Marília Monteiro, 24, são amigas e colegas de classe – se tudo correr dentro do esperado, serão arquitetas em 36 meses. A unanimidade reina entre as duas a respeito da drástica mudança que o Bar da Miriam vai sofrer, já que foi comprado pelo seu vizinho, a Universidade da Cerveja.
Miriam herdou o bar de seu pai, o Seu Laudir. Para os ex-alunos, que estiveram pelo Centro Universitário até 2007, o bar era amavelmente conhecido como Bar do Véio. Bruna e Marília não gostaram da novidade e preferiam que o local continuasse da mesma maneira: “Agora vai virar bar de elite!” diz Bruna, com segurança. Já Marília conta que as amigas já conversaram a respeito e não frequentarão o novo local. A saída, segundo elas, será se abrigar no bar da frente, o Téquim – ou até mesmo contar com a esperança dos boatos de que será construído um “pé-sujo” na Av. Jorge Sanways (mesmo endereço da faculdade), perto do antigo bar e onde se encontra atualmente um escritório de advocacia. Elas dizem que sentirão falta do atendimento informal e dos preços baixos.
Já no foursquare, aplicativo que os usuários apontam a localização de onde estão, as afirmações são convincentes: “a porção de tirinhas de massa de pastel é fantástica!” anota Luciana Alfaro, que hoje é publicitária. Também da mesma profissão, Priscila Martz diz “você economiza 90% do seu salário, muito barato”. A usuária do aplicativo identificada como Pan Carinne salienta: “comida e bebida boas e baratas. Destaco a cerveja Patagônia e o pastelão de carne pra acompanhar”. Já Juliana Finardi comenta sobre a empadinha, que considera deliciosa e barata e Lisiê Farias confirma que o local é “o boteco onde tudo acontece”.
Locais como estes são considerados parte das boas memórias que estudantes têm durante a estadia no ensino superior. Em menos de 10 anos, dois bares de grande movimento foram fechados, o Tebas e o Cabeça. Ambos foram comprados pela UDC e foram transformados em novas salas de aula – um, oferece matérias do curso de Comunicação Social e outro virou um centro de Engenharia.

                               Bar da Miriam lotado logo após a volta às aulas

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