O Banco Mundial cortou a
previsão de crescimento do Brasil em 2015 e para os próximos dois anos, de
acordo com um relatório divulgado na quarta-feira, 10, chamado Perspectiva
Econômica Global", que faz uma atualização sobre o cenário da economia mundial.
A previsão para este ano é de que a economia brasileira encolha 1,3%. Em um
documento anterior, divulgado em janeiro, a instituição estimava expansão de 1%
para o País.
O Brasil foi o país que teve o
maior corte de projeções entre as principais economias mundiais avaliadas no
documento do Banco Mundial. Além do corte em 2015, a projeção para o ano que
vem foi reduzida de crescimento de 2,5% previsto em janeiro para 1,1%. Para
2017, a nova estimava é de expansão de 2% no Produto Interno Bruto (PIB), ante
2,7% do documento anterior.
"O Brasil, com o seu
escândalo de corrupção no topo das atenções, tem tido pouca sorte, afundando no
crescimento negativo", afirma o economista-chefe do Banco Mundial, Kaushik
Basu, no texto que apresenta o relatório.
O estudo do Banco Mundial
classifica de "decepcionantes" os números da atividade econômica
brasileira. "Confiança frágil dos agentes, aumento dos preços
administrados e baixo preço das commodities devem contribuir para uma recessão
no Brasil em 2015 com uma recuperação modesta em 2016 e 2017", afirma o
documento.
Além desses motivos, o
relatório menciona as deficiências em infraestrutura no Brasil como outro fator
impeditivo para um maior aquecimento da atividade econômica. Sem citar o nome
da Petrobrás, o Banco Mundial afirma que as "investigações em curso"
ajudaram a piorar a confiança dos consumidores e empresários, que atingiram
níveis historicamente baixos.
A expectativa de recuperação
da atividade do Brasil, ainda que modesta, em 2016 e 2017, está baseada, de
acordo com o documento, na implementação do ajuste fiscal e monetário, na volta
da inflação para perto da meta oficial e na melhora da confiança dos
brasileiros.
América Latina
A piora da atividade no Brasil
e em outros países da América do Sul, como a Venezuela, deve fazer a América
Latina crescer apenas 0,4% este ano, prevê o Banco Mundial. Em janeiro, a
aposta era de expansão de 1,7%. No ano que vem, a expectativa é que a taxa
avance para 2%, ainda assim menor que os 2,9% estimados em janeiro.
Ainda na região, o México teve
a previsão de crescimento cortada em 0,7 ponto, para expansão de 2,6% este ano.
A Argentina foi uma das exceções e teve melhora na previsão de 1,4 ponto, com
crescimento previsto para este ano em 1,1%. As economias da América Latina,
além de enfrentarem problemas internos, ressalta o relatório, são afetadas pela
queda dos preços das commodities.
As informações são do jornal O
Estado de S. Paulo.
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