O consumo das
famílias brasileiras, utilizado no cálculo do PIB, indicador que mede o desempenho da
economia brasileira, apresentou um resultado negativo de 0,9% no primeiro
trimestre de 2015, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Esta é a maior
queda desde o terceiro trimestre de 2003, quando o consumo também registrou uma diminuição de -0,9%, de
acordo com a análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE.
Já na comparação
com o quarto trimestre de 2014, o recuo foi de 1,5%, o maior desde o último
trimestre de 2008, no auge da crise econômica mundial, quando o indice caiu
2,1%. Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE,
Rebeca de La Rocque Palis, esse resultado foi influenciado pelo aumento da taxa
de juros, da inflação, escassez de crédito e o desempenho do emprego e da renda,
que, segundo o IBGE, “não está crescendo tanto quanto vinha”.
“Essa cultura de
juros altos, inflação mais alta, o crédito crescendo menos e o emprego e renda
também contribuíram para esse desempenho do consumo das famílias. O que afeta
demais a evolução da economia, já que ele [consumo das famílias] pesa 63%”,
analisou a coordenadora.
Ainda de acordo
com o IBGE, o crescimento nominal de 5,2% do saldo de operações de crédito do
sistema financeiro nacional para pessoas físicas não foi o suficiente para impactar
positivamente o consumo das famílias. “O crédito para as pessoas físicas
está mais caro e menos acessível, a inflação deu uma acelerada, e o emprego e
renda também estão desacelerado. É um efeito da conjuntura toda”, afirmou
Rebeca Palis.
A Selic, taxa
básica de juros da economia brasileira, alcançou 12,2% ao ano no primeiro
trimestre de 2015 contra 10,4% no primeiro trimestre de 2014, segundo dados do
Banco Central. Já a inflação oficial (IPCA) cresceu 7,7% no mesmo período e na
mesma base de comparação, apontou o IBGE.
A economia do
pais, registrou queda de 0,2% no primeiro trimestre de 2015, puxada pelo
desempenho negativo do setor de serviços e da indústria, bem como do recuo do
consumo das famílias e dos investimentos. Neste início de ano, o que evitou um
tombo ainda maior do PIB foi a agropecuária.
Frente aos três
primeiros meses do ano passado, o declínio foi ainda maior, de 1,6%, com destaque
para a primeira queda do consumo das famílias desde o terceiro trimestre de
2003. O PIB acumulado em quatro trimestres encerrados no primeiro de 2015
registrou queda de 0,9%, a maior desde o terceiro trimestre de 2009, quando o
recuo foi de 1,3%.
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