sexta-feira, 12 de junho de 2015

Consumo das famílias brasileiras registra maior queda desde 2003

O consumo das famílias brasileiras, utilizado no cálculo do PIB, indicador que mede o desempenho da economia brasileira, apresentou um resultado negativo de 0,9% no primeiro trimestre de 2015, em comparação com o mesmo período do ano anterior. 
Esta é a maior queda desde o terceiro trimestre de 2003, quando o consumo também registrou uma diminuição de -0,9%, de acordo com a análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,  IBGE.
Já na comparação com o quarto trimestre de 2014, o recuo foi de 1,5%, o maior desde o último trimestre de 2008, no auge da crise econômica mundial, quando o indice caiu 2,1%. Segundo  a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Palis, esse resultado foi influenciado pelo aumento da taxa de juros, da inflação, escassez de crédito e o desempenho do emprego e da renda, que, segundo o IBGE, “não está crescendo tanto quanto vinha”.
“Essa cultura de juros altos, inflação mais alta, o crédito crescendo menos e o emprego e renda também contribuíram para esse desempenho do consumo das famílias. O que afeta demais a evolução da economia, já que ele [consumo das famílias] pesa 63%”, analisou a coordenadora.
Ainda de acordo com o IBGE, o crescimento nominal de 5,2% do saldo de operações de crédito do sistema financeiro nacional para pessoas físicas não foi o suficiente para impactar positivamente o consumo das famílias. “O crédito para as pessoas físicas está mais caro e menos acessível, a inflação deu uma acelerada, e o emprego e renda também estão desacelerado. É um efeito da conjuntura toda”, afirmou Rebeca Palis.
A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, alcançou 12,2% ao ano no primeiro trimestre de 2015 contra 10,4% no primeiro trimestre de 2014, segundo dados do Banco Central. Já a inflação oficial (IPCA) cresceu 7,7% no mesmo período e na mesma base de comparação, apontou o IBGE.
A economia do pais, registrou queda de 0,2% no primeiro trimestre de 2015, puxada pelo desempenho negativo do setor de serviços e da indústria, bem como do recuo do consumo das famílias e dos investimentos. Neste início de ano, o que evitou um tombo ainda maior do PIB foi a agropecuária.
Frente aos três primeiros meses do ano passado, o declínio foi ainda maior, de 1,6%, com destaque para a primeira queda do consumo das famílias desde o terceiro trimestre de 2003. O PIB acumulado em quatro trimestres encerrados no primeiro de 2015 registrou queda de 0,9%, a maior desde o terceiro trimestre de 2009, quando o recuo foi de 1,3%.

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